![]() Edição 02 - julho e agosto de 2009 |
| 60 anos de história. | |
Carta de Chico Xavier Pedro Leopoldo, 29 de janeiro de 1956. Jesus nos abençoe. Tenho comigo sua confortadora carta de 21 deste mês, trazida pela nossa estimada irmã Laura, cuja palavra me proporcionaram imenso reconforto pela segurança evangélica de seu nobre espírito. Muito me alegraram as notícias das belas realizações do Instituto Espírita de Educação, que
os estimados companheiros estão sustentando com tanto valor. Entendo que sem educação, todo o
esforço será sempre aquele das iniciativas, por vezes admiráveis, das palavras e dos gestos
exteriores respeitáveis e nobres na obra do bem, que acabam comumente entre a eficácia e o
desencanto. Com a Educação, porém, o serviço do bem assume as suas características de Rogo, pois, a Jesus para que vocês continuem cada vez mais encorajados no grande
empreendimento a que se encontram empenhados. Diante, contudo, de sua manifestação clara e sincera para comigo e na condição de servo e aprendiz dos companheiros de São Paulo, que me habituei a querer e a admirar profundamente, medito no que poderá suceder, amanhã, se a escola modelo do Instituto omitir deliberadamente, o ensino da Doutrina Espírita à infância. Nossos Benfeitores Espirituais costumam dizer-me que o Evangelho do Senhor é o tesouro das bênçãos divinas que nos investirá na posse do Céu em nós mesmos e que a Doutrina Espírita é a chave que Jesus nos envia para penetrar-lhe a glória e a riqueza entrando na luz da vida eterna. Se negarmos aos pequeninos, filhos de espíritas ou não, numa escota modelo espírita essa chave do Senhor que é a Doutrina Espírita, não será o caso de estarmos em simples acomodação social, prosseguindo nos velhos moldes do verniz para a inteligência com descaso do coração? Falamos habitualmente que formaremos alicerces evangélicos no espírito da fraternidade cristã dentro da escola, mas não socorremos a alma da criança com o conhecimento justo. Claro que não me refiro a cursos minuciosos para os meninos, mas as noções de nossa Redentora Doutrina como sejam a sobrevivência além da morte, a construção espiritual e a reencarnação que, a meu ver, assimilados na infância, fortalecem a criatura para todos os dias da existência. Tenho a escola como sendo minha mãe. E aquilo que verte do coração maternal é luz para todos os filhinhos. Assim sendo, com todo o meu respeito a vocês, creio que a Doutrina Espírita, em noções simples e leves, deve ser ensinada a todas as crianças e aquelas que não desejarem recolher esse alimento de luz naturalmente devem ser livres para se retirarem sem qualquer constrangimento. Não emito esta opinião por fanatismo religioso. Tenho a felicidade de possuir afeições nos vários setores da fé inclusive, de contar com a amizade de padres católicos e pastores protestantes, a quem respeito e estimo com muito amor, veneração e sinceridade. Entretanto, eu faltaria com a minha consciência se não conversasse com o querido amigo, sobre o assunto, com a lealdade que lhe devo, reconhecendo embora que os amigos do Instituto, atentos às circunstâncias que ignoro, saberão conduzir a escola com a bênção de Jesus para os mais altos destinos. Perdoe-me, assim, a opinião despretensiosa, sim? A todos os nossos companheiros, as
minhas lembranças. Um abraço à toda a nossa querida família da U.S.E.. E, com afetuosas
saudações de que a nossa irmã Laura é mensageira, segue para o prezado amigo um grande
abraço do seu irmão e servidor muito reconhecido de sempre Chico Xavier Meu caro Prof. Emílio, não poderá, por exemplo, o Externato oficializar uma aula de Doutrina Espírita, fácil, leve e acessível, às crianças, com base no Evangelho em cada sábado da Semana? Essa forma seria ideal, desde que oficializada pela Diretoria do Instituto, não acha? Abraços do Chico. |
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